3º Domingo da Quaresma – Ano B – 11/03/2012

Jesus e os vendilhões2

REFLEXÃO BÍBLICA – QUARESMA – 3º. DOMINGO – Ano B – 11.03.2012

Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!


Evangelho: Jo 2, 13 – 25

1. A Páscoa, – principal festa dos judeus, pois nela o povo recordava a libertação da escravidão do Egito, – reunia na cidade de Jerusalém uma multidão de peregrinos. O povo vinha para celebrar o Deus da libertação e as lideranças religiosas e políticas se aproveitavam para explorar ainda mais o povo. Contraste gritante: a Páscoa não é mais a festa do povo que celebra e revive a libertação, mas a festa das lideranças exploradoras, que se aproveitam do momento para oprimir mais ainda o povo. Pior ainda: parece que Deus está de acordo com tudo isso.

2. Jesus não concorda com essa situação. “No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. Então, fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, junto com as ovelhas e bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas” (vv.14-15).

3. Ao mostrar Jesus usando um chicote, João recorda o que fora anunciado por Zacarias: “nesse dia não haverá mais comerciantes dentro do templo de Javé dos exércitos” (Zc 14,21). Com esse gesto, Jesus inaugura a era do Messias. Zacarias previa um tempo em que o culto seria isento de exploração do povo. Para João, esse dia chegou com Jesus: não é mais possível culto ou religião conivente com a exploração do povo.

4. Para aprofundar esse aspecto é preciso ter presente a situação econômica daquele tempo. Nessa época, as terras da Palestina estavam nas mãos dos latifundiários (= elite religiosa de sumos sacerdotes e anciãos), que moravam em Jerusalém. O sumo sacerdote era o presidente do Sinédrio, o supremo tribunal que condenará Jesus à morte. Três semanas antes da Páscoa os arredores do templo se tornavam um grande mer-cado. O sumo sacerdote se enriquecia com o aluguel dos espaços para as barracas dos cambistas e vendedores. Os animais (criados nos latifúndios) eram levados a Jerusalém e vendidos a preços, (nessas ocasiões), exorbitantes.

5. Todo judeu maior de idade devia ir a essa festa e pagar os impostos previstos para o templo. MOEDA DO TEMPLO: O templo adotara a moeda tíria (cunhada em Tiro, cidade pagã) como moeda oficial, pois ela não se desvalorizava com a inflação que, na época de Jesus, era muito alta. Grande ironia (!): a Lei proibia o ingresso de moedas pagãs no templo. Mas os gananciosos dirigentes religiosos burlavam a Lei em vista de seus privilégios. Os cambistas faziam a troca das moedas “impuras” (= as moedas inflacionadas de quem morava na Palestina ou fora dela) pela moeda “pura” e por seu trabalho, cobravam altas taxas (8%).

6. ATITUDE DE JESUS: Jesus expulsou do templo bois, ovelhas, pombas, animais usados nos sacrifícios que o povo oferecia a Deus. Expulsando-os do templo, Jesus declara inválidos todos esses sacrifícios, bem como o culto que se sustentava graças à exploração do povo.

7. Os vendedores de pombas são os mais visados por Jesus: “Tirem isso daqui. Não façam da casa de meu Pai um comércio” (v.16). Os pobres – não tendo condições de oferecer a Deus ovelhas ou bois, – sacrificavam pombas para os ritos de expiação e pu-rificação, bem como para os holocaustos de propiciação (cf. Lv 5,7; 14,22.30s). Pobres desses pobres! Além de nada terem, até Deus parecia estar distante deles. A teologia veiculada pelo templo de Jerusalém é extremamente conservadora, isso por-que os dirigentes do templo estão por trás de todo comércio que nele se desenvolve.

8. CULTO x LUCRO! “O culto proporcionava enormes riquezas à cidade. Sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do templo. O gesto de Jesus toca, portanto, o ponto nevrálgico: o sistema econômico do templo, com seu enorme afluxo de dinheiro procedente do mundo todo conhecido … era outra forma de exploração” (J.Mateos-J.Barreto, o Evangelho de S.João, p.150). Nas grandes festas o preço das pombas (= sa-crifício dos pobres) ia às nuvens fortalecendo a exploração dos ricos sobre os empobrecidos.

9. Deus, – o aliado dos sofredores empobrecidos, – sempre denunciou, ( através dos profetas), a exploração da religião. O gesto de expulsar os comerciantes do templo suscita duas reações:

1ª. dos discípulos: para eles, Jesus seria um reformador da instituição. E até citam a Bíblia: “o zelo por tua casa me consome” (v.17; cf. Sl 69,10). Logo adiante (vv. 21-22) João afirma que os discípulos, – após a ressurreição de Jesus, – redimensionam seus conceitos a respeito de Jesus. Ele não é um reformador do templo, mas aquele que o substitui. Ele não reforma, ele substitui, ele traz o novo.

2ª. dos dirigentes: exatamente os que se sentem lesados pelo gesto de Jesus (gesto de acabar com o comércio, com o lucro deles no templo). Eles o ameaçam, querem intimidar: ”Que sinal nos mostras para agires assim?” (v.18). Jesus responde que sua morte e ressurreição serão o grande sinal: “destruam este templo, e em três dias eu o levantarei” (v.19). Temos aqui o centro do evangelho deste dia. Jesus não só aboliu os sacrifícios no templo de Jerusalém, Ele decretou que o fim do templo já chegou. Aboliu os sacrifícios e o templo! De agora a em diante, será através de seu corpo, – morto e ressuscitado, – que o povo se reencontrará com Deus para celebrar a Páscoa da libertação. (A essa altura o evangelho de João já aponta para os responsáveis pela morte de Jesus).

10. Os vv. 23-25 iniciam novo assunto. Servem de introdução ao diálogo de Jesus com Nicodemos (ev. do próximo domingo). Parece estranho que Jesus não confie nas pessoas. “Jesus não confiava neles, pois conhecia a todos. Ele não precisava do teste-munho de ninguém, porque conhecia o homem por dentro”. Ele não confiava porque as pessoas viam nele um reformador das velhas instituições, e não aquele que vem trazer o vinho novo (cf. 2,10). Além disso, no evangelho de João, as pessoas são convidadas, – a partir dos sinais que Jesus realiza (v.23), – a descobrir a realidade para a qual apontam (o que o sinal quer dizer, e não parar no sinal), mas que permanece oculta a quem não dá, pela fé, sua incondicional adesão a Jesus.

1ª. Leitura: Ex 20, 1-3 . 7-8 . 12-17

11. O DEUS DA VIDA quer a vida antes de tudo e acima de tudo. O Decálogo privilegia a vida, propondo-a como valor ímpar. Estudos recentes afirmam que o eixo das Dez Palavras é o versículo 13: “não matarás”. A vida, portanto, é o núcleo da constituição do povo de Deus. Ao preservar ou ao promover a vida, Israel está sendo fiel ao Deus da Aliança que o libertou (=salvou a vida) da escravidão do Egito.

12. O v. 2 (Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito) funciona como introdução. Ele recorda quem é Deus. É aquele que ouve  os clamores do povo e o liberta. É o Deus do povo que clama.

13. – EGITO: O Egito é símbolo de todas as opressões infligidas às pessoas.
- JAVÉ: Sendo aquele que preserva e promove a vida, Javé se alia aos que sofrem, libertando-os de todos os “lugares de escravidão”.
- VERSÍCULO 2: Esse versículo (- porta de entrada do Decálogo – ), serve de ponto de referência, ou seja, Israel irá, (através de uma legislação justa) , construir uma sociedade totalmente diferente do Egito, onde a vida não valia nada e as pessoas eram tratadas como objetos.

14. 1º. Mandamento. O primeiro mandamento(3-6) proíbe a idolatria: “não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti ídolos … não te prostrarás diante deles, nem os servirás, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento”.

a. Israel não pode fabricar “interpretações” do Deus que preserva e promove a vida, pois uma vez que pudesse ser representado por imagem ou figura, já estaria sendo manipulado por pessoas. Ao Deus da Vida as pessoas respondem com adesão única e incondicional (fé monoteísta).

b. Se Israel quiser se aproximar e ver o Deus que preserva e promove a vida, deve buscá-lo no irmão, feito à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,27), e não nos ídolos que não preservam a vida das pessoas. O verdadeiro culto que se presta ao Deus vivo e verdadeiro é a defesa e a promoção da Vida.

15. 2º. Mandamento. O segundo mandamento (v.7) proíbe pronunciar o nome de Deus em vão, “porque o Senhor não deixará de punir quem pronunciar seu nome em vão”. O Deus da vida e da liberdade não pode ser usado para acobertar a morte e a escravidão.

16. 3º. Mandamento. O terceiro mandamento (vv. 8-11) diz respeito ao sábado. No Egito não havia respeito pela pessoa, pois o que se fazia aí era trabalho escravo. A proibição do trabalho em dia de sábado é um freio à ganância e exploração de uma pessoa sobre a outra. O descanso no sábado permite que a pessoa se sinta viva e livre e tome consciência de todos os aspectos que envolvem sua vida (trabalho, lazer, fruição da vida).

17. 4º. Mandamento. O quarto mandamento (v.12) manda honrar pai e mãe, a fonte da vida. No Egito, onde o povo de Deus viveu escravo, a honra e a vida eram atribuídas ao Faraó e suas divindades. Israel tem os pés no chão. O Deus que preserva e promove a vida manda honrar os pais, pois foi a partir deles que a vida de cada pessoa começou a existir.

18. 5º. Mandamento. O quinto mandamento (v. 13) é o eixo do Decálogo. Ele se opõe ao sistema social que vigorava no Egito, o lugar da escravidão. Aí fora decre-tada a extinção do povo de Deus. Israel, para ser fiel ao Deus que preserva e promove a vida, deverá pôr a vida como valor absoluto.

19. 6º. Mandamento. O sexto mandamento (v.14) focaliza a preservação e a promoção da vida na família: “não cometerás adultério”. O adultério destrói a relação familiar.

20. 7º. Mandamento. O sétimo mandamento (v.15) ordena: “não roubarás”. Vários estudiosos afirmam que o verbo “roubar”, neste caso, está relacionado com escraviza-ção e privação da liberdade de alguém. Neste caso, não se trata simplesmente de tirar algum objeto que pertence a outra pessoa. A questão é mais profunda. Trata-se de não escravizar as pessoas, pois esse era o sistema social que vigorava no Egito, onde a vida não era preservada nem promovida.

21. 8º. Mandamento. O oitavo mandamento (v.16) diz respeito à vida a ser preservada e promovida através de julgamento e sentenças justas: “não levantarás falso tes-temunho contra o próximo”. Se os pobres e os fracos não encontram quem lhes faça justiça, a sociedade se torna um novo Egito, cheio de clamores e opressões, pois a impunidade da injustiça é a pior escola numa sociedade corrupta.

22. 9º. e 10º. Mandamento. Os dois últimos mandamentos (v.17) proíbem a cobiça (casa, mulher, escravo, boi, jumento) fonte e origem de toda a injustiça social, pois o desejo do acúmulo é o pai de todos os males. Isso acontecia no Egito, onde o Faraó concentrava tudo em suas mãos: terras, poder, bens, riquezas. Para construir uma socie-dade alternativa, Israel precisa aprender a justiça e a partilha.

2ª. Leitura: 1 Cor 1, 22 – 25

23. Uma religião escandalosa e louca. Uns pedem sinais … outros sabedoria … e nós pregamos Cristo crucificado … escândalo para uns … insensatez para outros ! MAS para nós poder de Deus e sabedoria de Deus !

24. A COMUNIDADE DE CORINTO. A comunidade de Corinto era composta, em sua maioria, por pessoas pobres e escravas: “entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade” (1,26). Essa gente trabalhava nos cais dos portos, transportando cargas pesadas, levando vida de verdadeiros “crucificados” da sociedade.

25. Paulo chegou a Corinto e foi anunciar a esses crucificados a VITÓRIA DE UM CRUCIFICADO como eles. Se dermos crédito a Lucas, nos Atos dos Apóstolos, a opção preferencial de Paulo pelos pobres deu-se sobretudo depois do fracasso diante das elites de Atenas.

26. Não é possível falar de Deus aos crucificados (de ontem e de hoje) a não ser falando da cruz de Cristo, ou seja, falando de um Deus “escandaloso” e de uma religião “louca”, pois Deus assumiu em Jesus esse risco.

27. De fato,
- para um judeu a cruz é o que existe de mais horrendo, pois a própria Lei considera maldito quem foi crucificado (cf. Dt 21,23; Gl 3,13). Os judeus exigem uma religião de sinais prodigiosos para acreditar. Em outras palavras, uma religião sem riscos, (“arroz-com-feijão”).
- Os gregos procuram sabedoria (v.22), ou seja, uma religião que não se encarna jamais, puramente racional e científica, uma religião de laboratório.

28. Jesus escolheu o caminho do escândalo e da loucura, pois a cruz é símbolo do fracasso, fraqueza, vergonha e maldição, mas, ao mesmo tempo, é símbolo da encarnação do Filho de Deus em nossa realidade mais concreta. Morrendo na cruz Jesus nos libertou. É aí que reside o poder de Deus e sua sabedoria, pois Jesus é a revelação máxima do projeto e do amor de Deus.

R e f l e t i n d o . . .

1. O tema central de hoje é a adoração de Deus, o que no AT se entende por ”temor de Deus”: não um medo infantil diante de um “Deus policial”, mas submissão e receptividade diante do mistério. Israel não pode “temer” (=submeter-se e acolher) outros deuses (2 Rs 17.7.35). Só a amizade (“graça”) do Senhor vale a pena.

2. Tal “temor de Deus” se expressa, antes de tudo, na Lei do Sinai (cujo resumo são as Dez Palavras). O Decálogo se inicia com o mandamento do temor de Javé. Só a Javé se deve adorar, pois é um Deus que age: tirou o povo do Egito. Mas esse temor de Deus diz respeito também ao relacionamento com o próximo. Javé não estaria bem servido com um povo cujos membros se devorassem mutuamente. Daí o culto (=veneração de Deus) implica direta e imediatamente num “ethos” (=critério de comportamento).

3. No espírito dos israelitas, o Decálogo era algo como um pacto feudal. Javé era o suserano, que fornecia força e proteção, mas esperava da parte do vassalo, Israel, colaboração e “temor”, a adoração de Javé e o relacionamento fraterno entre o povo. Sem estas condições Israel não seria “povo de Javé”. Em termos atuais: para servir para Deus, não basta ser piedoso, é preciso “ser gente” no relacionamento com os irmãos.

4. Jesus veio nos ensinar, não tanto por suas palavras, mas sobretudo, por seu gesto de doação total, o que é obedecer a Deus e ser irmão dos homens. Seu gesto é mais eloqüente que qualquer decálogo. Doravante, a adoração de Deus não mais se chama temor, mas amor a Deus (1 Jo 4,18). Por que? Porque em Jesus Deus não se revela mais como guerreiro (tempo do Êxodo), mas como “meu Pai e nosso Pai” (Jo 20,18). Por isso, Jesus é agora o verdadeiro lugar de adoração a Deus. “Vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores não mais adorarão no templo de Jerusalém ou no monte Garizim, na Samaria, mas em espírito e verdade “, isto é, naquilo que Jesus nos comunica (Jo 4,22-25).

5. Jesus é o novo templo, lugar da manifestação da glória (cf. 2,11), sobretudo, na ”hora” da morte (12,23.28; 13,31; 17,1). Por isso, quando João narra que Jesus purificou o templo de Jerusalém, destaca que expulsou até os animais do sacrifício; em outras palavras, pôs fim ao culto do templo; e no diálogo explicativo que segue (2,18-22), o corpo do Cristo ressuscitado e glorioso se revela ser o novo templo, que em três dias será erguido.

6. Neste contexto fica evidente o ardor de Paulo ao anunciar a cruz de Cristo. Escândalo para os judeus, porque a cruz é um instrumento indigno para a morte de um judeu. Loucura para os pagãos, com sua filosofia elitista (estóicos) ou hedonista. MAS para os chamados dentre todos os povos e nações é a revelação da força de Deus e de sua sabedoria. E nós sabemos por que? Porque Deus quer conquistar os corações que se convertem. Por isso o acesso a Deus acontece doravante no Cristo rejeitado, pois é nele que encontramos o gesto de reconciliação de Deus para conosco.

7. Jesus renovou a primeira Aliança (a de Moisés e da Lei) no dom de sua própria vida. Este dom é agora o centro da nossa religião , de nossa busca de Deus. Uma vida que não vai em direção da cruz não chega a Deus.

8. Quaresma é tempo de preparação batismal ou renovação batismal. Para instruir os fiéis a liturgia apresenta as Dez Palavras, os Dez Mandamentos. Mais que “preceitos” são critérios de conduta, de comportamento de vida. São baliza-dores da construção da vida dos filhos de Deus.

9. Mas como aparecem esses “mandamentos”? São fruto do amor de Deus. Do Deus da Vida que toma a iniciativa de fazer ALIANÇA com suas criaturas, ou melhor, seus filhos. E para que tenhamos clareza do que faz, o nosso Deus já se declara de início como o Deus da VIDA, o Deus que liberta da escravidão, o Deus que leva para a liberdade. O Deus da Vida só quer Vida para seus filhos: por isso ele desce dos céus e diz as Palavras (as Dez Palavras) que garantem,
que conduzem, que defendem, que promovem a Vida.

10. Ser cristão = ser pela vida, ser a favor da vida. Ano após ano, Israel ia a Jerusalém celebrar a Páscoa. Ano após ano, nós também vimos aqui para celebrar a Páscoa. Este é um gesto consciente ou automático, meramente repe-titivo, sem muito conteúdo ou o “Memorial” do Senhor Jesus”. … Se o Cristo se apre-sentasse hoje poderia estar feliz com nosso modo de preparar, de celebrar e de viver a sua Páscoa (porque celebramos a Páscoa dele, não a nossa, então tem que ser do jeito dele!).

11. Não buscamos nós também sinais (como os judeus) ou raciocínios explicativos (como os gregos) para tentar entender a cruz da Redenção? Ela é e sempre será um paradoxo! Deus é tão grande, que pode realizar a sua obra na mais profunda aniquilação. Nosso caminho não vai do compreender para crer, mas do crer (da fé) para compreender o mistério da ação de Deus na nossa história humana.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2012
Fraternidade e Saúde Publica

Que a Saúde se difunda sobre a terra ! Eclo 38,8

Elementos da Doutrina Social da Igreja sobre a saúde pública

I. – Princípios importantes:

a. O princípio da solidariedade: compromisso em prol do bem comum e da transformação das estruturas injustas que ferem a dignidade da pessoa. ( n.17)
b. A proximidade entre justiça e solidariedade: não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. (n.18)
c. Os princípios da subsidiariedade e da participação. Subsidiariedade = subsídio das instituições maiores às menores de uma sociedade. Participação é um dever a ser conscientemente exercitado por todos de modo responsável e em vista do bem comum. (n.19-22)

II. Controle social dos cidadãos = exigir do Estado. Pelos princípios de subsidiariedade e participação infere-se que os cidadãos e entidades e organizações civis e religiosas precisam colaborar com o Estado na implementação das políticas de saúde, por meio do controle social. Desta forma cabe-lhes exigir do Estado o cumprimento de suas obrigações constitucionais – acompanhar e fiscalizar a qualidade dos serviços oferecidos, – verificando estruturas de atendimento e responsabilidade dos profissionais. (n. 23)

III. Ação dos cristãos: contundência e profetismo. A reflexão sobre estes princípios orientadores (da vida cristã diária) são importantes (ou importantíssimos!) para que a ação evangelizadora da Igreja e dos cristãos, possa se revestir de contundência e pro-fetismo na área da saúde. (n. 24)

IV. Caridade maior é mudar estruturas indignas e injustas. Além da “caridade na atenção aos enfermos”, é necessário empenho (sério, constante e contundente!) por mudanças nas estruturas que geram enfermidades e mortes. Tais estruturas tornam-se visíveis

a.- nas situações de exclusão,
b.- na falta de condições adequadas e dignas de vida,
c.- e no descaso no atendimento oferecido aos usuários do sistema de saúde.

Tudo isso é exposto e escancarado pelos meios de comunicação social .. . e também pelos rostos sofridos e pelas mortes causadas pelo indigno atendimento. (n. 24).

V. COMPARE:

a. o atendimento que exigem para si os governantes e parlamentares com o atendimento ao povo (que paga altíssimos impostos) = Hospital Sírio-Libanês X hospital de 5ª. categoria (… ou sem categoria! ).
b. Interessante! Nunca vi nem soube que um governante ou parlamentar fosse atendido pelo SUS … que chegou ao Pronto-socorro e esperou na fila a sua vez (=esperou a sua vez) para ser atendido … que esperou seis “meses”(!) para fazer um RX, que esperou “dois anos” para fazer uma cirurgia … que esperou “meses” para agendar quimioterapia e radioterapia … e coisas desse tipo que todos sabemos. Acho que eles deveriam freqüentar as longas filas(=levantar de madrugada) de espera do sistema de saúde que eles votam para o povo … ou eles não pertencem ao Povo???
c. Acho que a saída seria trocar todos estes políticos porque nenhum deles até agora fez isso, ou seja, viveu como o povo vive, com um salário mínimo (minguado e so-frido!) que demora “meses” para ser votado ao contrário dos salários de suas excelências que é votado com exorbitantes aumentos e na mesma hora ou no mesmo minuto sem nenhuma discussão, restrição ou demora … (!!!) Desafio qualquer governante ou parlamentar a viver o mês inteiro com um salário mínimo (que eles votam para os outros e não para si!). E ??? … mas-porém-todavia-contudo a constituição do Brasil (e não de outro país) não diz que todos são IGUAIS (… ou eles são mais iguais que os outros ?!?!?)?

VI. TAIS INDAGAÇÕES simplesmente transcrevem a dedução do que diz o n. 25: ”A Igreja do Brasil” sabe que ‘nossos povos não querem andar pelas sombras da morte. Tem sede de vida e felicidade em Cristo’. Por isso, proclama com vigor que ‘as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do Pai e desafiam os discípulos missionários a maior compromisso a favor da cultura da vida” (DGAE n. 66 – Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015).

Fonte: Texto base da Campanha da Fraternidade 2012.

Material Elaborado pelo Prof. Ângelo Vitório Zambon
Comissão Arquidiocesana de Liturgia – Campinas

Fontes: Bíblia de Jerusalém, Bíblia do Peregrino, Dicionário Bíblico (Mckenzie), Liturgia Dominical (Konings), Dicionário de Liturgia, Vida Pastoral, Homilias e Sugestões (BH), Roteiros Homiléticos (Bortolini).

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2 Comentários

  1. Diácono. Francisco Alves de Sousa

    sáb 03rd mar 2012 at 20:27

    Enquanto houver pessoas postando matéria como essa na internet, haverá esperança de que um dia tudo se modifique a partir de um olhar direcionado para a vida. nesse período de quaresma, vejo como favorável o começo de atitudes que levem a pessoa a refletir sobretudo no perdão que leva a conversão, que leva ao dissipulado, que leva a missão.

    Responder
  2. Maria das Graças Pereira Silvestre

    seg 05th mar 2012 at 15:52

    estou exercendo o ministerio palavra , e este comentario me ajuda muito

    Responder

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